
Em 1961, após escrever 13 cadernos para um curso de mentalismo, Tony Corinda publicou o seu livro "Thirteen Steps to Mentalism" (Treze degraus ao mentalismo), que hoje é considerado pela comunidade mágica mundial como uma das mais importantes contribuições a esta arte.
Não lembro quantas vezes eu li os seus capítulos, sendo que, alguns deles mais de duas vezes.
Decidi, faz algum tempo, ler o livro desde o início até o fim, na seqüência da publicação (Corinda recomenda uma seqüência lógica no próprio livro).
As surpresas foram inúmeras. As delícias também.
Mas, já lendo o penúltimo "Step" me deparei com uma frase que me chamou muito a atenção... “O ilusionismo vá a caminho de desaparecer” diz o Corinda, em 1961.
Sim amigo e colega mágico, isso mesmo! Desaparecer.
Na nossa era vemos mágicos como Mister M que simplesmente estão trabalhando arduamente nesse sentido. Outros fazem da mágica uma “coisa bizarra” que gente “freak” gosta e curte, e outros fazem verdadeiras encenações na TV, ou usam técnicas de imagem e cortes bizarros, para se promover, mas, a culpa não é deles, nem do publico e sim dos próprios mágicos.
Será que já não é mais uma arte? Será que ainda têm verdadeiros artistas profissionais que trabalham com amor à arte mágica e vivem intensamente cada efeito, técnica ou rotina?
Sei e entendo que, hoje sobrevive quem é mais “esperto” e consegue tirar proveito da mágica para virar um profissional, mas, onde está a arte?
Sabemos que “nada se cria e tudo se transforma”, mas, em alguns casos, nem isso acontece.
Sei e aceito também que, é complicado criar novas técnicas e efeitos sem cair no fato de que, quase tudo já foi criado, mas, nem a adaptação ou variação a algo existente poderia ser feito?
Aproveitando o fato de que, sou pouco conhecido no meio mágico, tenho assistido de longe (quando dá é claro) alguns mágicos atuais e, tenho visto –com algumas exceções- que a maioria deles são medíocres e pouco inovadores.
Aceito a crítica de que não tenho sido um exemplo para criticar quem vive da arte mágica, mas, por outro lado, vejo, assim como Corinda viu em 1961, que a arte mágica está cada vez menos apreciada e respeitada pelo público e, até pelos próprios mágicos, e isso é um fato.
Falta preparo? Falta escola? Faltam incentivos? Faltam mágicos mais criativos? Não sei.
Tenho visto talentos como o Rafael Baltreska, Edson Iwassaki, Felipe Kardman, Felippe Fábbi e outros (me desculpem não mencioná-los a todos) que criam sem preparo, sem escola, sem incentivo, mas com criatividade e, sobre tudo, vontade, que é o que cada um dos “novos e antigos” profissionais da arte mágica deveriam fazer aqui no Brasil.
Crítico Eu? Sim! Sobre tudo quando vejo que o Corinda tinha razão na sua afirmação de 1961.
Vamos ver quem não fica “tocado” com o “12th Step”, que até parece que ele, como bom mentalista, previu o futuro.

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